quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Câmara homenageia Sociedade Bíblica

A Câmara dos Deputados realizou sessão solene na segunda-feira, 5, em homenagem à Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), que este ano atingiu a marca de 100 milhões de Bíblias impressas em seu parque gráfico, instalado em 1995 na sua sede, em Barueri, São Paulo. 

A sessão também foi alusiva ao Dia da Bíblia, lembrado pelos evangélicos no segundo domingo de dezembro. O presidente da Frente Evangélica Parlamentar, deputado João Campos, leu o pronunciamento do presidente da Câmara, Marco Maia, enfatizando o Dia da Bíblia.

“Que essa homenagem sirva para lembrarmos o milagre cotidiano da vida e agradecermos por tudo que recebemos até aqui”, escreveu.

A deputada Lauriete Rodrigues de Almeida, do Partido Social Cristão (PSC), recorreu ao jurista, político, diplomata e escritor brasileiro Rui Barbosa para definir a Bíblia Sagrada:

“Se eu coloco abaixo de todos os livros, ela é que mantém todos eles, se eu a coloco no meio dos outros livros, ela é o coração desses livros, e se eu a coloco acima dos outros livros, ela é a cabeça e a autoridade de todos os livros em minha biblioteca.”

Integraram a mesa da sessão solene o embaixador de Israel no Brasil, Rafael Eldad, o presidente da Assembléia de Deus de Belém, pastor Samuel Câmara, a presidente da Frente Parlamentar Evangélica de Brasília, Celina Leão, o presidente de honra da SBB, Aldo Fagundes, o presidente do Conselho de Pastores do Distrito Federal, Josimar Francisco, e o deputado Roberto de Lucena.


Fonte: ALC (08.12.2011)

Exército da Salvação inova em campanha de arrecadação para o Natal

O Exército da Salvação adotou sistema em dez cidades estadunidenses, entre elas Nova Iorque, Chicago, São Francisco e Dallas, que aceita doações realizadas com cartão de crédito através do telefone. Até o Natal a organização pretende arrecadar mais de 140 milhões de dólares. 

O porta-voz do Exército da Salvação, George Hood, afirmou, em blog do jornal The New York Times, que essa modalidade de receber doações estreita a relação da instituição com os doadores, aproximando-os da sistemática que utilizam no cotidiano.

A empresa encarregada de instalar os pontos de arrecadação distribuiu 800 mil celulares de leitura de cartões bancários nas dez cidades estadunidenses. Os doadores podem, assim, realizar suas contribuições com qualquer cartão Visa, Mastercard ou American Express.


Fonte: ALC (08.12.2011)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Vasco da Gama vai catequizar atletas da base

O Clube de Regatas Vasco da Gama, fundado por portugueses e considerado o time mais católico do país, vai proporcionar aulas de catequese aos atletas das categorias de base no próximo ano. 

“Encaminhar os meninos na fé cristã é importante”, disse o frei Eneas Berilli, 75 anos, responsável pela capela Nossa Senhora das Vitórias, ao repórter Sérgio Rangel, da Folha de São Paulo.

A capela, inaugurada em 1955, fica dentro do estádio do Vasco, o São Januário, atrás de uma das goleiras, e inviabilizou projetos de ampliação do estádio. A diretoria não permite a demolição da capela.

Em feriados católicos o clube não funciona. A maior parte dos jogadores do plantel oficial é evangélica e respeita a tradição do clube. Os atletas Felipe e Juninho Pernambucano são os jogadores mais ligados à fé católica.


Fonte: ALC (01.12.2011).

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Comitê de Diversidade Religiosa é instalado pela Ministra Maria do Rosário

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), instala nesta quarta-feira (30), em Brasília, o Comitê de Diversidade Religiosa. Na ocasião, também será lançada a Campanha de Combate à Intolerância Religiosa. A abertura da solenidade, que ocorre durante o Seminário Diversidade Religiosa, promovido pela SDH, será às 9h30, na sede da SDH.

O Comitê tem o objetivo de pensar metodologias, estratégias e referenciais epistemológicos para o diálogo, tanto entre pessoas sem religião, quanto com representantes de diversas religiões. A meta é que essas entidades religiosas possam tornar-se promotoras de paz, justiça e cidadania e busquem a superação da intolerância religiosa. O seminário será aberto pela secretária Nacional de Promoção dos Direitos Humanos, Nadine Borges.

Segundo a coordenadora-geral de diversidade religiosa da SDH, Marga Strhöher, a intolerância religiosa se dá pela não aceitação do diferente. "Partimos de uma concepção de uma sociedade homogênea, que desconsidera a diversidade, em que determinada cultura, que também é forjada pela religião, se colocou como cultura universal no percurso histórico brasileiro," acredita.

Com o slogan "Democracia, Paz, Religião - Respeite", a campanha de Combate à Intolerância Religiosa tem o objetivo de promover o respeito à diversidade religiosa, eliminando todas as formas de intolerância.

A relatora da Conferencia Mundial Contra o Racismo, Xenofobia e Intolerância Correlatas de Durban, Edna Roland, fará palestra sobre as implicações da conferência para a diversidade religiosa. Também estará presente o pesquisador do Centro Universitário Metodista Sul, Clemildo Anacleto da Silva, que falará sobre Diversidade Religiosa e os desafios para o combate à intolerância religiosa no contexto brasileiro.

Fonte: CEBI (30.11.2011) <http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=1&noticiaId=2581>

40 anos da Teologia da Libertação

Há 40 anos começava uma nova maneira de fazer teologia, que tem influído notavelmente na sociedade e na Igreja. Aos 40 anos, uns a dão com acabada; outros, a felicitam pela tarefa desenvolvida e pelos desafios que apresenta com vistas ao futuro.

Porém, a Teologia da Libertação (TdL) não começou nos anos 70. Em 1492 acontece o chamado ‘descobrimento' da América Latina; e, em 1511, um frei dominicano, Antonio de Montesinos, em nome de sua comunidade e ante as autoridades da Isla La Española (hoje República Dominicana), disse, com referência aos indígenas e ao tratamento que estes recebiam: "Por acaso, não são homens?". Foi a primeira pergunta de uma história de libertação, como muito bem explicou o professor Reyes Mate, em conferência sobre esse tema. Podemos, então, dizer que a história da TdL começou há 500 anos, em 11 de dezembro de 1511.

Sem dúvida, não faltaram cristãos que desde sempre e a partir da experiência de sua fé, viam a teologia subordinada a uns ditames colonizadores opressivos. Porém, sua experiência não era formulada em novas categorias teológicas e tampouco se tornou pública na sociedade.

A partir dos anos 60, grandes expectativas de mudança vão se gerando no mundo; porém, os cristãos pareciam carecer de criatividade e não incidir nessa mudança com alternativas próprias de transformação.

É por essa época que Gustavo Gutiérrez lança uma contribuição teológica nova a partir do contexto latino-americano: "Como apresentar Deus num mundo bipolar formado por ricos e pobres, onde, por lógica, sua relação é de injustiça e de exclusão; e como a fé é capaz de provocar mudanças radicais? Essas mudanças exigem que os pobres, os excluídos, os discriminados deixem de sê-lo, o que não é possível sem a transformação do sistema.

Se os cristãos temos como base e medida o Evangelho, encontramos nele uma declaração, que soa como um Manifesto, na parábola do Bom Samaritano. Nela se fazem presentes todos os esquemas de vãs teologias e se marca o estilo a seguir. Pergunta Jesus: "Qual dos três personagens te parece que foi o próximo do homem que havia sido vítima dos salteadores?".

- "O que teve compaixão dele".

- "Perfeito; vai e faz o mesmo". (Lc 10, 30-37).

Sentir compaixão e atuar em consequência é prévio para quem quer fazer TdL. Antes do que uma reflexão fria e abstrata, a TdL é uma vivência, uma prática de amor dentro da qual brota naturalmente uma maneira nova de fazer teologia.

Obviamente, a TdL não acaba em si mesma; não se detém em dar explicações sobre o que acontece; mas, avança para realizar práticas de mudança e libertação. Explicar a realidade contraditória existente e deixá-la como está não é teologia libertadora. A realidade, injustamente interpretada e configurada, necessita ser mudada para ser conformada com o projeto de Deus, que Jesus chamava reino de Deus e que se constrói na base da igualdade, da justiça, da fraternidade e da liberdade.

Viver a libertação em mudanças e práticas libertadoras é um imperativo para o cristão que quer ser fiel ao Deus libertador.

Para a mudança da realidade, os cristãos têm que contar com uma análise dessa realidade tecida em torno ao binômio riqueza-pobreza, Norte-Sul, e que demonstrará que essa situação não é fruto da casualidade, nem da vontade dos deuses; mas do egoísmo e da cobiça dos homens; do domínio que os mais fortes estabelecem sobre os mais débeis e necessitados.

Essa análise é necessária para descobrir as causas reais da opressão e seus sujeitos responsáveis e evitar o idealismo. O marxismo, não como filosofia ou visão global da realidade, mas como ciência, pode ajudar muito ao conhecimento dessas causas e de suas funestas consequências. Vale enquanto sua análise se mostre verídica em assinalar a gênese e os efeitos do capitalismo. Nunca os teólogos da libertação assumiram o marxismo como visão filosófica da realidade nem o utilizaram acriticamente.

Precisamente porque a TdL aponta à mudança da opressão e da injustiça, tem sido, caluniosamente, atacada. Essa teologia reclama para a Igreja inteira o lugar próprio que lhe destina sua fé desde o seguimento de Jesus: ser pobre; viver com os pobres e comprometer-se com sua libertação.

Essa recolocação da Igreja é perigosa para os opressores e para uma Igreja-Poder, acostumada a viver em aliança com os poderosos. Nada acontece nessa teologia que não traduza com fidelidade a mensagem radical de Jesus e seu Evangelho. Porém, os "questionados" pela TdL e seu domínio e "meios gigantescos" se encarregaram de divulgar que a TdL era heterodoxa por sua marxistização; por sua separação do magistério eclesiástico; por seu fomento da guerrilha; por seu conceito meramente temporal da salvação; pela redução do Jesus histórico a um líder terreno...

Posteriormente, não poucos vinham associando a sorte da TdL ao socialismo real. A queda deste, fez-lhe acreditar que a TdL também cairia. Duplo engano: porque o socialismo não se identificava com o socialismo de Estado e a TdL não era sua subordinada; mas tinha origem e base próprias no Evangelho. Como muito bem disse o bispo Pedro Casaldáliga: "A TdL não tem a Marx como padrinho, mas a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo".

A queda do socialismo real não canonizava a maldade intrínseca do capitalismo, mas incitava a aprofundar nas causas de sua opressão, hoje globalizada. Como sempre, as estruturas econômicas contam na marcha da sociedade e, sem elas, não se pode entender o funcionamento do sistema neoliberal. Porém, não são determinantes, nem empanam a influência de outros fatores da sociedade; o primeiro de todos: o protagonismo dos cidadãos.

A consciência atual pode reverter a visão eurocêntrica dominadora que, há mais de 400 anos, governa o planeta Terra. Diante da Terra, o homem não é dono e depredador, nem pode continuar explorando-a ilimitada e insolidariamente.

Hoje, a TdL atua nas frentes mais necessitadas de libertação: mulher-homem; religiões enfrentadas; indígenas acossados; povos secularmente submetidos...

O novo paradigma da TdL vai além de todas as subordinações do mundo moderno, plasmadas na sociedade e no sistema capitalistas. A sociedade atual, com o protagonismo dos cidadãos -tal como aparece no movimento M-15, dos indignados- está marcando um novo giro frente à relação de domínio, estabelecida por séculos.

É um fato que a TdL não parece contar, como em anos anteriores, com pensadores eminentes. Seguramente porque sua seiva viva e transformadora tem circulado por baixo, mais horizontalmente, permeando e impulsionando diretamente o pensamento e a ação dos "sem voz".

Benjamín Forcano
Sacerdote e teólogo da Igreja Católica Romana

Fonte: CEBI (25.11.2011) <http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=8&noticiaId=2560>