quarta-feira, 12 de outubro de 2011

PUC-Rio assina base de dados em Teologia

Rio de Janeiro, segunda-feira, 10 de outubro de 2011 (ALC) - A Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) assinou a Plataforma Internacional de Dados Atla Religion Database – EBSCO. A mesma base foi assinada pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e que integra o Projeto Pesquisa Global, lançado em 8 de outubro.

O projeto da Divisão de Bibliotecas e Documentação (DBD) da PUC-Rio promoveu um curso para expor a base de dados em Teologia e Religião aos professores Luís Corrêa e Ana Maria Tepedino, e outros pesquisadores em Teologia e áreas afins.

A proposta do CMI, que começou a ser construída pelo grupo de Educação Teológica, reunido na Conferência Edimburgo 2010, divulgada pela ALC, integrou a Atla Religion Database por causa da ampliação do universo de pesquisa, de forma separada ou integrada, a outras bases já em uso.

Os alunos da universidade carioca já podem acessar página da Biblioteca, inscrever-se e passar a usufruir da informação disponibilizada pela Atla, integrando-se desse modo a centros de excelência em Educação Teológica e produção acadêmica em perspectiva ecumênica ao redor do mundo, vista como fator chave no desenvolvimento do cristianismo mundial no século 21.

Dietrich Werner, coordenador do programa de Educação Teológica Ecumênica do CMI, afirmou que é um esforço "coordenado para fazer um projeto de investigação internacional sobre as tendências e os desenvolvimentos recentes na educação teológica".

O projeto foi concebido para recolher perspectivas sobre todas as formas de educação teológica de cada tradição cristã em todo o mundo. A ferramenta básica para a pesquisa é um questionário alargado sobre as tendências, condições e necessidades na educação teológica, e será respondida por instituições de ensino teológico, regional e global de associações de escolas teológicas.

Ao mapear a educação teológica no mundo atual, a obra oferece "um recurso de classe mundial para todos que sentem a necessidade de continuar a formação ecumênica", disse o secretário geral do CMI, Olav Fykse Tveit.

Uma das presidentes do FMI, reverenda Ofelia Ortega, escreveu que o manual abre "novos caminhos na educação teológica". O teólogo Robert J. Schreiter, da União Teológica Católica, denominou-o, no prefácio, de "recurso vital" para a formação da liderança da igreja do futuro. 



Fonte: ALC (10.10.2011)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Steve Jobs: Murió Budista, Creció Como Luterano


Steve Jobs, el innovador de Apple falleció el 5 de octubre después de una larga batalla contra el cáncer de páncreas. El tema de la fe de Jobs ha sido un tema candente desde que la noticia de su muerte fue anunciada.
  • jobs
    (Reuters / Demianchuk Alexander)
    Claveles son colocados delante de una pantalla de computadora que muestra un retrato del co-fundador y ex CEO de Apple Steve Jobs en una tienda de Apple en San Petersburgo, el 6 de octubre de 2011.
Muchos se han preguntado si era un budista o un ateo, y también han cuestionado si era cristiano.
De hecho, Jobs era un budista confeso en los últimos años de su vida.
Sin embargo, los informes han revelado también que Jobs fue bautizado y criado como luterano.
El columnista de About.com, Scott P. Richert noto que Jobs fue bautizado y confirmado en la Iglesia Luterana-Sínodo de Missouri en su columna de opinión del 6 de octubre, la visión cristiana de Steve Jobs.
Refiriéndose al discurso de Jobs de comienzo a la clase en que se graduó en 2005 de la Universidad de Stanford, Richert sugiere que a pesar de sus creencias budistas, Jobs se inspiró aún por su educación cristiana.
"El discurso de Steve Jobs en Stanford no lee un manifiesto budistas. Hay algo en eso que, en caso que no sea intencionalmente cristiano, es por lo menos en consonancia con lo mejor de la enseñanza cristiana. Me gusta pensar que, cuando Jobs lo componía, las lecciones de su catecismo luterano se mantenían burbujeando en su mente", escribió Richert.
"Nadie quiere morir. Incluso la gente que quiere ir al cielo no quiere morir para llegar allá... La muerte es muy como el mejor invento de la vida", dijo Jobs durante su discurso.
Pablo McCain de Christian blog, CyberBrethren afirmó en su columna de opinión acerca de cómo paso Jobs sus clases de confirmación donde fue enseñado por el Rev. Dr. Martin Taddey, quien era conocido por ser el pastor de Trinity Evangelical Lutheran Church de Palo Alto, California.
La Iglesia Luterana-Sínodo de Missouri habló con The Christian Post, y ha declarado que están actualmente tratando de confirmar si Jobs era un miembro de su iglesia.
Funcionarios de la Trinity Evangelical Lutheran Church no estaban disponibles para hacer comentarios.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Homenagem aos 90 anos de Paulo Freire

Há exatamente 90 anos nascia em Recife (PE) o homem que iria se tornar um dos pensadores mais importantes da história da pedagogia em todo o mundo: Paulo Freire (1921-1997). Ele disse que gostaria de ser lembrado como "alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida". Foi reconhecido internacionalmente pela autoria de uma pedagogia crítica, dialógica e transformadora que assume compromisso com a libertação dos oprimidos.

Embora seja mais conhecido pela criação de um método de alfabetização de adultos, Paulo Freire construiu uma teoria do conhecimento que continua inspirando pesquisadores dedicados aos estudos de filosofia, comunicação, arte, física, matemática, biologia, geografia, história, literatura, economia, medicina, entre outros campos de atuação. Segundo a diretora de Gestão do Conhecimento do Instituto Paulo Freire, Ângela Antunes, o reconhecimento dele, fora do campo da pedagogia, demonstra que o seu pensamento também é transdisciplinar e transversal. "A pedagogia é essencialmente uma ciência transversal. Desde seus primeiros escritos, Paulo Freire considerou a escola muito mais do que as quatro paredes da sala de aula. Ele criou o círculo de cultura como expressão dessa nova pedagogia que não se reduzia à noção simplista de aula", observa.

O presidente do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti, enfatiza que não se pode entender o pensamento de Paulo Freire descolado de um projeto social e político. "A força da obra de Paulo Freire também reside na ideia de que é possível, urgente e necessário mudar a ordem das coisas". Segundo Gadotti, as teorias e práticas de Paulo Freire também encantavam pessoas de várias partes do mundo porque "despertavam a capacidade de sonhar com uma realidade 'mais humana, menos feia e mais justa', como o próprio Paulo costumava dizer".

Ditadura militar
Considerado subversivo, Paulo Freire foi preso em 1964 e passou 75 dias em uma cadeia do quartel de Olinda (PE). Ao saber que ele era professor, um dos oficiais responsáveis pelo quartel, solicitou que alfabetizasse alguns recrutas. "Paulo explicou que havia sido preso justamente porque queria alfabetizar!", lembra Gadotti.

Em 1980, depois de 16 anos de exílio, Paulo retornou ao Brasil para "reaprender" seu país, como afirmou na época. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1989, tornou-se Secretário de Educação no Município de São Paulo. 

Paulo Freire é autor de muitas obras: Pedagogia do oprimido (1968), Extensão ou comunicação? (1971), Cartas à Guiné-Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992), À sombra desta mangueira (1995), entre outras.

Dentre as homenagens recebidas, Paulo foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa em 39 universidades no Brasil e no mundo. Dezenas de instituições o elegeram como "Presidente de Honra" e uma escultura de pedra com a sua imagem foi esculpida em 1972, em Estocolmo, onde ele é representado na companhia de Mao Tsé Tung, Pablo Neruda, Ângela Davis, Sara Lidman e outras pessoas que lutaram contra a opressão. Ao receber prêmios, medalhas e títulos, ele costumava dizer que essas homenagens o desafiavam a continuar trabalhando.

Em 1996, lançou seu último livro, intitulado "Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa". No ano seguinte, em 2 de maio de 1997, Paulo Freire morreu de um infarto agudo do miocárdio. A anistia aconteceu 12 anos depois, em 2009, e comoveu as 3 mil pessoas que estavam presentes na cerimônia, realizada em Brasília.

No contexto dos 90 anos do educador Paulo Freire, celebrado dia 19 de setembro de 2011, estão sendo realizadas homenagens e comemorações em todo o mundo. As ações mostram que Paulo Freire continua vivo por meio do trabalho de mulheres e homens que reinventam o seu legado e "amam o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida".



Fonte: CEBI (29.09.2011)

Muçulmano convertido torna-se pastor

Massoud Fouroozandeh é o primeiro pastor luterano dinamarquês com um passado muçulmano. Seu objetivo é aproximar os migrantes de sua nova fé.

"O meu percurso de vida mostra claramente que Deus pode criar um movimento que sequer sonhamos. Mas isso não significa que não existem obstáculos. É assim que vejo a tarefa à frente de mim agora, e o movimento que eu espero começar na igreja", declarou.

Ele atende na Igreja de St. Hans, em Odense, onde aguarda a sua ordenação, que ocorrerá na Igreja perto de St. Knud, a catedral da cidade. A ordenação é o ápice de uma jornada dramática desde o Irã sobre as montanhas da Turquia e sobre a Dinamarca – como um aluno exemplar na escola corânica para liderar a Igreja multicultural do Amor e, em seguida, tornar-se um pastor na Igreja Luterana da Dinamarca.

"É um sonho tornado realidade - para ser capaz de usar os dons da graça que Deus me deu para trabalhar na igreja dinamarquesa. Felizmente, a minha mãe vai estar presente, mesmo que ela não está muito bem no momento", disse Massoud.

Foi a mãe dele que começou a reunir cristãos iranianos na sua casa, em Odense, orando para que Deus lhes permitisse construir uma igreja para os novos dinamarqueses. E eles fizeram – abriram a Igreja do Amor (em persa, Muhabat) em 1997, que agora tem filiais em Copenhague, Aarhus e Aalborg.

Massoud foi o líder da igreja desde então. Depois de uma experiência de conversão, em 1996, ele deixou sua vida de negócios para trás e dedicou seu tempo a pregar o amor de Deus, especialmente entre os refugiados e imigrantes.
"O amor de Deus é fundamental para mim. Mas ao longo da estrada eu descobri que as pessoas que conheço querem mais do que apenas uma mensagem simples. Eles querem uma profunda teologia, que descobri na Igreja do Povo (Folkekirke)", relatou.

Para aprofundar seus conhecimentos, Massoud começou a estudar Teologia na universidade, e em 2010 obteve o seu mestrado. Desde então tem seguido com formação no Seminário Pastoral. Este mês ele assumirá a função de pastor num mandato de três anos, atendendo imigrantes, ligado à Igreja de São Han, em Odense, uma igreja marcada tanto pela Missão Luterana e Missão Home

Na confiança de que "Deus tem um propósito", seu primeiro objetivo na Igreja do Amor é tornar-se um voluntário da igreja livre dentro da igreja estabelecida. Ele também quer melhorar as ligações entre as outras igrejas de imigrantes.
"Eu acredito que Deus tem um propósito com minha presença aqui, onde vou poder construir pontes entre os dinamarqueses antigos e novos. Não é tarefa fácil, mas meu caminho até este ponto não tem sido fácil, por isso não estou preocupado com isso", afirmou.


Fonte: ALC (01.10.2011)

''Nós somos Igreja''. Movimento é citado e criticado pelo Papa

Pela primeira vez, desde que é Papa, Bento XVI citou e criticou publicamente o movimento de oposição eclesial mais difundido e ativo nos países de língua alemã. Ele o fez num discurso improvisado ante os seminaristas de Friburgo. Vão aqui abaixo as suas palavras.

A reportagem é de Sandro Magister e publicada no seu blog, Settimo Cielo, 30-09-2011. A tradução é de Benno Dischinger.

Raríssimas vezes, nos discursos e nas homilias de sua recente viagem à Alemanha, Bento XVI se desviou do texto escrito. 

O improviso que fez, ao falar ao Parlamento no dia 22 de setembro em Berlim, é aquele que mais gerou impacto. 

Ao citar Hans Kelsen, filósofo do Direito, que no ano de 1965, aos 84 anos de idade, quer dizer, a mesma idade que tem agora o Papa, sustentou certa tese, o Papa improvisou sorrindo: "Consola-me comprovar que aos 84 anos ainda se esteja em condições de pensar algo razoável!". 

Contudo, entre os dezoito discursos pronunciados por Bento XVI nos quatro dias passados em terra alemã, há um em que ele não leu nenhum texto escrito. Seu conteúdo foi redigido e tornado público somente depois do regresso do Papa a Roma.

É o discurso que dirigiu aos seminaristas na capela de São Carlos Borromeu, no seminário de Friburgo, na tarde de sábado, 24 de setembro.

Aos candidatos ao sacerdócio, Bento XVI sempre dedicou uma atenção especial.

Aos seminaristas de todo o mundo dirigiu, faz um ano, aos 18 de outubro de 2010, uma de suas cartas abertas mais comovedoras, com passagens autobiográficas referidas à sua juventude: 

Ao refletir sobre esta carta, os seminaristas de Friburgo haviam enviado ao Papa sua resposta, que Bento XVI, ao encontrá-la, definiu como "bela" e "séria". 

O discurso improvisado dirigido pelo Papa aos seminaristas de Friburgo no dia 24 de setembro último foi a continuação deste diálogo.

Sua transcrição íntegra, traduzida a seis idiomas a partir do original alemão, está na página web do Vaticano: 

Como todos os seus discursos pronunciados de forma improvisada, também este permite penetrar diretamente no pensamento do papa Joseph Ratzinger e no que é mais íntimo ao seu coração. 

Porém há no discurso uma passagem que merece ser destacada:

É o parágrafo em que Bento XVI raciocina sobre o termo - "Nós somos Igreja" - do movimento de contestação eclesial mais difundido e mais ativo nos países de língua alemã, mobilizados com especial intensidade ao aproximar-se a terceira viagem do Papa à Alemanha: 

"Sempre podemos crer somente em ‘nós mesmos'. Às vezes digo que São Paulo escreveu: ‘A fé vem da escuta', e não do ler. Também se necessita ler, porém a fé vem da escuta, quer dizer, da palavra viva, das palavras que os outros me dirigem e que posso ouvir; das palavras da Igreja através de todos os tempos, da palavra atual que ela dirige mediante os sacerdotes, os Bispos e os irmãos e irmãs. Da fé faz parte o ‘tu' do próximo, e faz parte dela o ‘nós'. O exercitar-se, o apoiar-se mutuamente é algo muito importante; aprender a acolher o outro como outro em sua diferença, para chegar a ser um ‘nós', para que um dia possamos formar uma comunidade também na paróquia, chamando as pessoas a entrarem na comunidade da Palavra e se porem juntos a caminho para o Deus vivo. Isso forma parte do ‘nós muito concreto, como o é o seminário, como o será a paróquia, mas também o olhar sempre além do ‘nós' concreto e limitado para o grande ‘nós' da Igreja de todo tempo e lugar, para não fazer de nós mesmos o critério absoluto. Quando dizemos: "Nós somos Igreja", sim, claro, é certo, somos nós, não um qualquer. Porém o ‘nós' é mais amplo do que o grupo que o está dizendo. O ‘nós' é a comunidade inteira dos fiéis, de hoje, de todos os lugares e todos os tempos. E digo sempre, ademais, que na comunidade dos fiéis, sim, existe, por dizê-lo assim, o juízo da maioria de fato, porém nunca pode haver uma maioria contra os Apóstolos e contra os Santos: isso seria uma falsa maioria. Nós somos Igreja: Sejamo-lo! Sejamo-lo precisamente no abrir-nos, no ir além de nós mesmos e em sê-lo junto aos outros". 

Como se pode ver, Bento XVI se fixou no nome de "Nós somos Igreja", porém para remover o significado: a partir de um "nós" separado e contraposto a um "nós que abarca a Igreja "de todos os lugares e de todos os tempos".

O movimento "Nós somos Igreja" (Wir sind Kirche) se constituiu em 1995 com uma coleta de assinaturas em apoio a um "Apelo do Povo de Deus", que propunha a eleição democrática dos bispos, o sacerdócio para as mulheres, a anulação da divisão entre clero e laicato, a eliminação da obrigação do celibato para o clero, uma nova moral da sexualidade, etc.. A coleta das assinaturas, que chegou a dois milhões e meio, começou na Áustria e posteriormente se estendeu à Alemanha, Itália, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Bélgica, França, Inglaterra, Portugal e Canadá. Ao primeiro documento seguiram muitos ouros. Porém o epicentro de "Nós somos Igreja" está na Áustria e na Alemanha, com amplo seguimento no clero, com certa capacidade de pressão sobre os próprios bispos e com uma áurea de simpatia em diverso seminários. 

Salvo engano, esta é a primeira vez na qual Joseph Ratzinger, como Papa, citou "Nós somos Igreja" num discurso público.



Fonte: CEBI (03.10.2011)